ficha técnica
Sr. Albino: Filipe Gonçalves
Maria de Fátima: Marta Garcês
Zé Pedro: Cauan Quini* / José Luís Vale*
Patrícia: Beatriz Brito* / Érica Pereira*
Francisca: Beatriz Mendes*
*Alunos da Oficina de Teatro – Cenas do Avesso
Dramaturgia/Encenação: Ricardo Brito
Produção: Associação Avesso / Teatro do Avesso
PÚBLICO GERAL
ESTUDANTE
sinopse
"Lugar do Meio é um lugar à beira do silêncio, mas ainda tem estação de comboios. Tem pouca gente, é certo, e fica tão distante de Lá Longe como de Bem Longe Daqui. Os habitantes de Lugar do Meio encontram na estação a sua casa, esperando que os comboios lhes tragam, por fim, uma razão para acreditar na felicidade.
Quem ali chega de comboio tem já hora de partida marcada. Apenas conseguimos vê-los, porque um passageiro em viagem é obrigado a sair na estação de Lugar do Meio para mudar de comboio e seguir até ao seu destino. Um comboio que é sucessivamente adiado, forçando o viajante a parar, a escutar e a olhar, ocupando, no banco da estação, o lugar que o espectador ocupa numa sala de teatro.
Porque o silêncio se instala de vez e apenas se vêem os comboios que passam sem parar, chega a hora de cada um mudar a agulha do seu próprio trilho, movendo-se, então, mesmo que seja para lugar nenhum, mas atrás da sua própria felicidade."
Como será tudo isto? Terá de correr até à Ponta do Sol e saber pois não fica assim tão longe de si..
nota do encenador
Pare! Escute e olhe…
Parar, escutar, olhar: três verbos que nos remetem para o imaginário dos comboios e das ferrovias. Três verbos que, cada vez mais, se distanciam de nós. Vivemos sempre apressados, sem tempo para escutar e olhar o outro, mesmo quando ele está tão próximo. Andamos num vai e vem de desencontros e, ora ficamos à espera, ora desesperamos.
Nos lugares mais pequenos, o vazio instala-se com o passar do tempo, fecham-se as instituições, apaga-se a luz, mas os dias continuam a repetir-se. Há gente que ficou, gente que não volta, gente que não sabe se fica, se vai…
Bem longe daqui é ponto de chegada, é um destino qualquer, mas vai sendo, também, e cada vez mais, um ponto de partida. É um lugar no meio da nossa própria viagem, um lugar onde deixamos de olhar e onde o silêncio é a única coisa que se ouve. Ali, sobrevivem, apenas, as emoções.
Aqui, já nem isso sabemos…
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